Ao contrário do policial, o thriller (e não há uma boa tradução em português para esta voz inglesa) não tem obrigatoriamente de apresentar uma completa explicação racional para os factos que narra: prevalece de facto o interesse pelo clima de suspense que se consegue realizar, pelo envolvimento do espectador nos eventos mesmo que seja por meio de truques narrativos que entram no território daquela “deslealdade” que o policial decididamente não admite.
O thriller vê geralmente o protagonista precipitar, de forma involuntária, um clima de perseguição: um inimigo quer matá-lo e não renuncia a elementos de mise-en-scène macabra para fazer crescer na vítima (e no espectador) a ansiedade e o terror. É óbvio que o contacto com o policial por um lado e com o terror por outro não é susceptível de grande definição, como acontece também na literatura, em que o thriller provém quer do policial psicológico quer do romance gótico.
Não é despiciendo assinalar que a matriz cinematográfica mais reconhecida do género é toda a obra de A. Hitchcock, justamente pela capacidade que este realizador revela de procurar representar na tela angústias e medos “burgueses”, o envolvimento de alguém alheio num complot internacional, as corridas contra o tempo, os suspeitos, os ninhos de víboras no seio de ambientes respeitáveis.
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